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o rio
é a concretude do vento
a palavra,
a do pensamento.

a ida infinita
das reticências não escritas.

Todos os paradoxos
estão nessas duas coisas:

nas águas
e nas palavras em movimento

fluidez
tique-taque

durma.
só o sono
esquece e lembra
esquece e lembra
esquece e lembra

o navio sem barco nem mar

essa é a ideia. o movimento.

quem faz mais sorrisos
noutras bocas
do que o seu próprio
geralmente padece de tristeza crônica.

“As obras-primas do passado são boas para o passado, não para nós. Temos o direito de dizer o que foi dito e mesmo o que não foi dito de um modo que seja nosso, imediato, direto, que responda aos modos de sentir atuais e que todo mundo compreenda.

(…)

Que os poetas mortos cedam lugar aos outros. E poderíamos mesmo assim ver que é nossa veneração diante do que já foi feito, por mais belo e válido que seja, que nos petrifica, que nos estabiliza e nos impede de tomar contato com a força que está por baixo.”

(…)

Basta de poemas individuais e que servem muito mais a quem os faz do que a quem os lê.  Basta, de uma vez por todas, de manifestações de arte fechada, egoísta e pessoal.”

trecho retirado de  “O Teatro e seu duplo”, de Artaud.

Palavra é isto,
exatamente isto:

palavra[s], apenas
a nata que se deita sobre a imagem fervente.

O que vês numa folha:
amores, gentes, solidões, arvoredos, cachecóis,

são apenas palavras.

Confio no acaso.

Que ele me faça esbarrar
assim
distraída na rua;
no meu amor.

Amém,
Acaso e
que assim,
seja.

ombros sofrem
uma dor de ácido sulfúrico:
o peso do vento.