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O gume de uma faca rasga involuntariamente o ar uivando em voz baixa a sua liberdade. A luz refletida na lâmina sem calor arranha a dor guardada na arma branca que age pelas mãos de outrem, não proferindo palavras, apenas sons desentendidos.

O corte se vende sem nada ganhar, a cada incisura executada em qualquer objeto; no sorriso forçado no corpo das matérias sacrificadas; nas lágrimas vertidas inconscientemente, em cada miolo de ser expulsado como uma sujidade indesejada.

O Lado afiado tentava cegar seu fio com o próprio pranto sempiterno na esperança de oxidar-se, e assim ser descartado ou esquecido. Ser nada.

Insuficiente cansaço.

Humanizaria o outro que o dominava, mas na constatação de que não possuia meios de discorrer, não há conclusão; a adversativa fica suspensa no filete metálico; um feixe cintilante e taciturno que passeia na lâmina como um corpo celeste perdido em órbita fechando os olhos de quem o afronta. Não se opunha a ser e não consegue ser. Tudo o que tem é uma suspensão de ser; uma suspensão de todo o pensamento-vontade-desejo protelada no exato momento em que se daria o clímax de qualquer processo.