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definitivamente
ainda
talvez

cada coisa em seu lugar

tirando o fato
de que coisas não existem
nem lugares

o que sobra
é isto
o que eu tenho

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a sensação de saber que está
sem estar
em nada

suprime
não suprime — nem canta
a razão das consequências esquisitas

— a morte.
— que tola
— a única certeza.
— é.
— vai saber.

consegue
não consegue
sem pensar — pensando sobre
fazer o que está pra ser feito
porque nada deve

— nada pode ser.
— nada é relativo.
— a morte está exausta do seu conceito.

procura
os diálogos existem
se pergunta
como seria possível
cantar com um sorriso largo cada manhã
como anestesia de bêbado cansado, mas feliz
com todo o lodo das quinas — à noite, principalmente.

sorri da timidez que não a deixa participar do mundo
— é uma escolha.
— seus olhos de calmante estão pedindo para o silêncio.
— tudo bem.
— Boa noite.

Acordei e pensei que iria morrer hoje mesmo. Daqui a pouco, assim sem mais nem menos. E tudo aquilo que eu tinha planejado, não… não mais aquilo e ainda sim… era hoje. Esse presente que grita, chamando a atenção e a gente dorme ou se adormece pra não ver. Ver o passado, aquele mais doído lá de trás das carnes mais sacolejadas de saudade e remorso; ver os ontens mal lembrados e a mágoa refeita a cada dia. Retomo de cabeça quando foi que… sim. Rememoro atitudes mesquinhas, beijos que mexeram com o corpo. E a dor que a gente sente, na verdade não existe. É ela que inventa a gente pra se distrair.

1: — Eu não amo ninguém.
2: — Ninguém nunca me disse isso.
1: — O quê?
2: — Que me ama.
1: — Eu disse que não amo ninguém.
2: — Então…
1: — Então o quê?
2: — Ninguém me ama. Eu acho. Pelo menos ninguém me disse.
1: — Eu nunca disse pra ninguém.
2: — Será que alguém já me amou e não me disse?
1: — Talvez.
2: — Você já amou?
1: — Já disse. Não. Nunca disse.
2: — e então?
1: — Nem nunca amei.
2: — Você está ficando repetitivo.
1: — Foi você quem perguntou.
2: — Você seria capaz de me amar?
1: — Não.

medo
medo-mistério de criança assombrada
por fantasias de adultos

pressagia o futuro de logo, logo…
pressagia meus presságios.

você me dá medo.
medo bom; de acaso de poesia descoberta,
nervoso de desvendar coisas que nem mais lembrava que existiam:

as interseções inexplicáveis entre as pessoas
e a maneira como elas se encontram nesse mundo.

às vezes eu encontro a Maria e ela me diz:
— ei, sou eu mesma.
— sou eu?
— somos nós. A Maria.
— Muito prazer, encantada.

ou

A dúvida existe afinal para quê?

Para sangrar as respostas sem matá-las.

Como afiar palavras cegas?

esfregando-as no mármore até perderem o sentido.

A incomunicabilidade entre as pessoas é inexorável.

afinal, qual é o sentido da vida?