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e a lágrima que é dita pela gravidade queria cair a dias. Estava no canto do olho. E toda vez que Ela sentia uma cócega perto do vértice do olho, pensava que era aquela lagriminha que queria vir, mas não era, era mais uma mosca que lambia sua carne exposta. E uma gota de lágrima vem de um riso, uma gargalhada muito forte e tensa de quem ri da própria desgraça só por não ter algo melhor para fazer em um momento como esse. Ela agora escreve, apesar de descrer completamente de que tal ato amenizaria o quê. Amenizar é uma péssima palavra, não deveria nem existir. Ela não quer amenizar nada, nesses tais nada. Arrebata. Nada. arrebata. narre. Narre esses esses.

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E é o que eu sempre temo, esses momentos de E. E o quê? Essa conjunção maldita aditiva e redutiva e…? Tenho vontade de escrever advérbios de intensidade: uma página inteira deles. Soa como um sentimentalistmo clichê, mas eu não posso explicar esses momentos de profundo… profundo o quê? profundo? Talvez nem tanto, mas esses agoras sem quando de desesperos que chamam outros desesperos e eles então como em avalanche me… nada. me nada. eu continuo com meus vazios intactos. Nada me arrebata. Arre me nada. narre. Eu continuo no aqui e no agora deste agora de um já só meu. e tais dias egocêntricos, tais quais eles mesmos. Tais quais, tais. Quem, eu? Não, ela. ela-eu. ela anda insegura nesses tais, ela anda com minhocas na cabeça, nesses quais, ela anda humana em carne viva e ainda faz piadas das moscas que pousam nos seus músculos expostos.

Mergulhou na piscina de manteiga invisível verdejante de papel. Sorriu para as conchas espessas pairantes no céu de atmosfera, no céu que não fica no alto, mas no meio de todas as coisas, intacto como um vento constante e repousado. Sonolento de amores sem prazos, ele pára. E as coisas o rompem sem sentir. O céu do meio do mundo.

Encontrou árvores que davam sapatos sem saltinhos de frutos. Os sapatos pendurados caiam maduros na calçada estreita. Era difícil andar por ali quando estava em época de sapatos sem saltinhos; eles despencavam sem hora marcada e atrapalhavam o caminho; a travessia tinha mais um obstáculo além da quantidade de gentes que trafegavam sem muita calma olhando para os pulsos. Por vezes os sapatos caíam nas cabeças de distraídos ou azarados. Era engraçado.

Óculos de cegueira ajudavam bastante no desconforto. O medo está na cegueira das imagens; os óculos da escuridão das vistas conferia certa tranqüilidade. Um alívio de não ver tudo. Tinha uns muito eficientes. Bem grandes, tampavam bem os olhos, até as sobrancelhas. O silêncio dos olhos era necessário. As imagens cansam. Cansam muito. Várias delas já habitam na cegueira. Mesmo no fechar dos olhos, elas estão lá. Elas cantam e lastimam a vida. Mas cansam. E mesmo na ausência delas, elas arrumam um jeito de aparecer. Sorte de quem nunca as viu. Devem ter outra forma de pensar e ter medo.

Engarrafei várias vontades. Eu as guardo na geladeira e as tomo de vez em quando, ou ainda: jogo-as pelo ralo da pia da cozinha com um estranho prazer vendo aquele líquido frágil e sutil se esvair pelo aço inox. E foi. E vai. E não tenho mais. Mas são outras que me perseguem. Não sei a pior das insistências; das pragas; das daninhas: imagens, vontades… É difícil estar na minha companhia.

Esvaziar-se do tanto é utopia.

É?

O gume de uma faca rasga involuntariamente o ar uivando em voz baixa a sua liberdade. A luz refletida na lâmina sem calor arranha a dor guardada na arma branca que age pelas mãos de outrem, não proferindo palavras, apenas sons desentendidos.

O corte se vende sem nada ganhar, a cada incisura executada em qualquer objeto; no sorriso forçado no corpo das matérias sacrificadas; nas lágrimas vertidas inconscientemente, em cada miolo de ser expulsado como uma sujidade indesejada.

O Lado afiado tentava cegar seu fio com o próprio pranto sempiterno na esperança de oxidar-se, e assim ser descartado ou esquecido. Ser nada.

Insuficiente cansaço.

Humanizaria o outro que o dominava, mas na constatação de que não possuia meios de discorrer, não há conclusão; a adversativa fica suspensa no filete metálico; um feixe cintilante e taciturno que passeia na lâmina como um corpo celeste perdido em órbita fechando os olhos de quem o afronta. Não se opunha a ser e não consegue ser. Tudo o que tem é uma suspensão de ser; uma suspensão de todo o pensamento-vontade-desejo protelada no exato momento em que se daria o clímax de qualquer processo.