— O que foi?
— Nada.
— Nunca é nada.
— Não é nada. Ou melhor: sim, é nada. É nada
— Nada. Que graça!
— Nada vezes nada…
— Fora isso você tem todos os sonhos do mundo.
— Não.
— Sim.
— À parte a isso, só tenho isso.
— Nenhum sonho?
— Nenhum mundo. (pausa) Eu quero que o Fernando Pessoa morra.
— Ele já está morto.
— Então eu quero que ele renasça sem as mãos, só com os braços.
— Cruel.
— Crueldade com mortos não conta.
— Conta sim.
— Veja se isso é nome…
— Ele inventou vários outros.
— Pessoa no nome é muita pretensão.
— Pessoa é muita pretensão.
— Eu queria sumir.
— Que frase inédita…
— Pois é.

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