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para S. Beckett

Nada importa.
Apenas isso:
que nada importa e que nada importo.

Quando nos dermos consciência
da coincidência ausente e inexistente
do quando e onde de cada coisa,
as coisas não vão mais existir,
existirão.

Sem mais nem menos.

Apenas.

em cada sopro
estará a morte desse sopro

em cada palavra
a sentença da impossibilidade

em cada pensamento
a abstração tão mesquinha e fulgaz

do não
duro
inflexível

das dúvidas brancas
mas se olhar de perto
há pequenas variações
na forma
no tom
da cor

há som
em todo silêncio

é impossível
fazer qualquer
qualquer

é impossível até
ser impossível.

só nos resta dizer
o indizível

e amar toda
incoerência

ritmo da existência

toc
toc
toc

- quem é?
é uma sigla ou
uma onomatopeia?

toc
toc
toc

(pausa)

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