“As obras-primas do passado são boas para o passado, não para nós. Temos o direito de dizer o que foi dito e mesmo o que não foi dito de um modo que seja nosso, imediato, direto, que responda aos modos de sentir atuais e que todo mundo compreenda.
(…)
Que os poetas mortos cedam lugar aos outros. E poderíamos mesmo assim ver que é nossa veneração diante do que já foi feito, por mais belo e válido que seja, que nos petrifica, que nos estabiliza e nos impede de tomar contato com a força que está por baixo.”
(…)
Basta de poemas individuais e que servem muito mais a quem os faz do que a quem os lê. Basta, de uma vez por todas, de manifestações de arte fechada, egoísta e pessoal.”
trecho retirado de “O Teatro e seu duplo”, de Artaud.

6 comments
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Junho 26, 2009 às 4:33 pm
paliativo
vou tentar…
Junho 27, 2009 às 6:23 pm
Marta
Adoro Artaud. Já leu Van Gogh: o suicidado da sociedade?
Julho 2, 2009 às 1:13 am
Ana Claudia
Basta de poesia sublime e inalcançável? Talvez sim. Mas é fácil saber por que discordo de que o poema do “eu” seja unicamente hermético. Se o é, não é por pedantismo nem egoísmo, acredito. A arte pode estar ao alcance do intelecto e até ao alcance da primeira leitura superficial, mas ela não tem essa obrigação, não acha? A arte, em princípio, não serve para nada. E é uma delícia tanto correr atrás da entrelinha quanto mergulhar nela sem saber absolutamente nada. Acho que o gosto pelo poema presume a desestrutura: uma aceitação de que, de repente, no meio do poema, está o impalpável (aos olhos, à mente e aos ouvidos). Espero que o poema me assuste semmpre, mas que nos deixe frestas de luz para eu também não ficar me achando uma burra, que talvez seja.
Um beijo,
Parabéns pelo teu blogue,
Ana Claudia Abrantes
Julho 2, 2009 às 1:34 am
paliativo
Não acho que o hermetismo seja sempre sinônimo de pendantismo e de arrogância. Acredito ser apenas mais uma maneira de escrever, às vezes quase inevitável ao escritor. Mas é interesante pensarmos no vício que todos temos, uns em menor, outros em maior grau, de venerar o passado; de enxergar como exemplos obras de outros tempos. Além do mais artaud não falou nada contra “poesia sublime e inalcançável”, mas para nos atentarmos sobre os “poemas individuais e que servem muito mais a quem os faz do que a quem os lê.” como ele mesmo escreveu: “Basta, de uma vez por todas, de manifestações de arte fechada, egoísta e pessoal.” Nesse sentido, acho que ele tem alguma razão. Não é à toa que Manuel Bandeira, por exemplo, é um poeta fenomenal. Ele está longe de ser fechado, egoísta e pessoal. Faz as poesias mais líricas, humanas e universais que eu já li.
Julho 10, 2009 às 1:05 pm
Imianowsky
(Beijando a mão ‘daquele jeito’) ARTAUD!
Julho 17, 2009 às 7:58 pm
Ana Claudia
Manuel Bandeira é uma inteligência arguta e uma delicadeza. Poesia ou gente pedante é que é chata. Então estamos combinadas!
Beijo