Por não me sentir só
que me sinto solitária
quando estou só eu e eu.
Gozo ao ler palavras violentas
Inexplicáveis
de autores do passado
—Um passado próximo, é verdade;
mas um passado.
Admiro silhuetas
imponentes
de coisa alguma
não dizem
nem significam
mas são
aparecem
se mostram
fotografam-se em meus olhos
e me pergunto, o que é isso?
o que me arrepia os pelos do braço:
coesões oníricas
elas sangram sangue
e eu sangro imagens
pelos poros.
no lugar do coito
coisas e as coisas do futuro?
o futuro é inibido
tem vergonha de si mesmo
figuras tentam matar o passado
Mas é impossível
Tudo tem um passado
Tudo tem um antes
Nada é sem nada prévio
Como afiar palavras cegas?
esfregando-as no mármore até perderem o sentido.
A incomunicabilidade entre as pessoas é inexorável.
viver
cansa,
exausta.
o que fazer
com vértices de pensamentos
assimétricos?
o acaso talvez significasse a ausência de sentido.
e de tempo.
tempo
tempo
tempo
Escrevo meu nome,
afirmo-me como alguém.
Para quê documentos com fotografias que supostamente me representam?
Eu não basto para ser eu.
Onde encontro meu ”quem”?
Não sei. Não onde me vejo.
Nada de nomes, fotos, espelhos.
Talvez nas palavras,
a criação seja completa
na deficiente corporidade:
materializa a pergunta
pestilenta;
irrespondível;
do que é e se duvida.

foto e texto: maria.
máquina: olympus pen EE-2



